Vermelho Melodrama

Um crime encomendado com carradas de ketchup: o ponto de partida de “Vermelho Melodrama” é tão absurdo quanto verdadeiro. O espetáculo da Dimenti parte de um crime ocorrido no interior da Bahia, em 2011, para mergulhar nas convenções, intensidades e contradições do melodrama. No centro da trama estão os órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, criados como irmãos em uma rede familiar atravessada por amores inconfessos, segredos e uma carta que nunca chegou ao destinatário — mas tudo pode mudar. A encenação mistura dramaturgia, cartas, textos diversos, referências cinematográficas e memes, enquanto os próprios mecanismos da cena são revelados e comentados. Emoções são amplificadas, microfonadas e levadas ao limite, entre o riso, o excesso e a paixão. Ao revisitar um gênero profundamente presente na cultura baiana e brasileira, “Vermelho Melodrama” pergunta quem tem direito ao amor, que lugar ocupa a troca de cartas em tempos digitais e até onde se estende o melodrama da vida política. No fim, resta uma cor, muitas revelações e transbordamentos.

Dia 28/10, às 20h
Teatro do Goethe-Institut (Av Sete de Setembro, 1809 – Corredor da Vitória)
Duração: 85 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Ingresso: R$ 15 e R$ 30, disponíveis via Sympla a partir do dia 17/10

FICHA TÉCNICA

Encenação e adaptação: Jorge Alencar
Texto original: Gildon Oliveira (“Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”)
Criação e elenco: Diogo Lopes Filho, Jorge Alencar, Lia Lordelo, Neto Machado, Véu Pessoa
Criada em colaboração com: Eduardo Gomes, Fábio Osório Monteiro, Vinicius Bustani
Canções: Leo Fressato
Trilha sonora original e direção musical: Luciano Salvador Bahia
Direção de arte e identidade visual: TANTO CRIA (Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia)
Programação visual: Luíza Senna
Coordenação de comunicação: Paula Berbert
Coordenação técnica: Larissa Lacerda
Figurino e adereços: Luiz Santana
Assistência de direção: Larissa Lacerda e Marina Martinelli
Colaboração artística: Ellen Mello e Jacyan Castilho
Supervisão vocal: Manuela Rodrigues
Desenho de luz: Larissa Lacerda
Operação de som: Felipe Viguini, Larissa Lacerda
Operação de luz: Marina Porto
Coordenação geral: Ellen Mello
Produção: Tais Bichara, Cândida Monte e Beatriz Sá
Financeiro e administrativo: Marília Pereira e Julia Coelho
Financeiro: Marília Pereira
Administrativo: Julia Coelho
Comunicação: Paula Berbert (Marcatexto)
Fotografia: Patricia Almeida

Dimenti

Com trajetória construída entre criação artística, produção e gestão cultural, a Dimenti surgiu em 1998 em Salvador, Bahia. Desenvolve projetos autorais e atua em parceria com coletivos, instituições públicas e iniciativa privada. Realiza o festival IC Encontro de Artes há 18 anos, projeto que se tornou uma de suas principais plataformas de articulação e circulação Criou o movimento “Arte Dá Trabalho” que nomeia a sua sede Casa Arte Dá Trabalho. Em suas pesquisas, a Dimenti transita por diferentes mídias, linguagens e espaços, criando espetáculos, performances, instalações, obras audiovisuais e publicações que atravessam temas como memória e arquivo, relações de gênero e feminismos, infância e diversidade. Suas criações já circularam por mais de 50 cidades brasileiras e por países como Alemanha, Espanha, Sérvia, Nova Zelândia, Palestina, Sérvia e Uruguai. Entre seus trabalhos estão “Biblioteca de Dança”, selecionado pelo Palco Giratório (SESC) e “O Que Você É Sai Por Todos os Lados”, premiado como Melhor Roteiro no Festival Panorama Coisa de Cinema 2026.

 

Um crime real
×
Um crime real

Vermelho Melodrama” (Dimenti, BA) é uma peça teatral com direção de Jorge Alencar que encena um texto original do dramaturgo baiano Gildon Oliveira inspirado no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011: motivado por traições e ciúmes, um assassinato é encomendado e forjado de forma precária e absurda com carradas de ketchup. Um crime real, sem vítimas fatais, cheio de reviravoltas narrativas que mais parecem ficção melodramática.

Fruto de um estudo sobre o gênero melodramático, a narrativa do trabalho gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos, uma rede familiar constituída por amores inconfessos e segredos do passado, tendo como motor dramatúrgico uma carta que não foi entregue e guarda uma revelação que pode mudar os destinos de cada personagem da trama.

Além desse eixo dramatúrgico, a encenação é costurada por fragmentos de textos diversos, cartas íntimas e públicas, cenas de filmes, memes de internet, em um momento de vivenciar a narrativa e comentar a própria experiência cênica, entre vestir e desvelar máscaras, com emoções amplificadas, microfonadas e sentimentos que transbordam um pensamento exclusivamente racionalista.

Com uma abordagem feminista e lgbtqiapn+, a encenação da peça troca os gêneros dos personagens do texto original, reposicionando os lugares das mulheres em relação a narrativas clássicas do melodrama: aqui, é um homem que desmaia de emoção e vibra com a realização do casamento, com aliança e traje dos sonhos. É uma mulher quem viaja, deixa o porto seguro familiar, aventurando-se por outras paisagens, movendo mundos. Na peça, as mulheres decidem quem desejam amar. Vermelho Melodrama conecta a tradição do gênero melodramático a uma pesquisa poética contemporânea.

+
O gênero melodramático
×
O gênero melodramático

O gênero melodramático é componente primordial na cultura baiana e brasileira, espalhando-se pelo cancioneiro popular, plataformas digitais, audiovisuais, entre outros campos. Seu modo de narrar participa, assim, da construção de uma identidade plural e de uma mediação social, firmando-se como uma leitura de certos jeitos de viver na Bahia e no Brasil.

O texto original, “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático que se firmou no teatro francês no final do século XVIII, caracterizado principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira.

Largamente presente na cultura brasileira, o melodrama é evidenciado na peça como fenômeno atual que atravessa, de diversas formas, as nossas subjetividades: afetos,
valores, pensamentos, singularidades. A encenação de “Vermelho Melodrama” coloca a dramaturgia do baiano Gildon em diálogo com uma série de outros autores, como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, levantando assuntos como a emoção na contemporaneidade e o direito ao afeto.

O espetáculo ainda traça paralelos com questões sociopolíticas – se, em sua estreia, em 2019, vivíamos um sombrio momento político, hoje ainda encaramos ameaças fascistas e antidemocráticas em nosso país e ao redor do mundo. Amor e ódio em polaridade.

“Remontar um melodrama hoje vai muito além de dar corpo a uma narrativa rocambolesca com suas guinadas e personagens arquetípicos. Há quem fale que o melodrama morreu. Há quem jure que suas mutações seguem infiltradas em todo tipo de plataforma contemporânea – televisão, cinema, literatura, redes sociais… Há quem reivindique (talvez a própria realidade) que as tramas políticas de nosso país superam qualquer ficção”, contextualiza o diretor Jorge Alencar, que pergunta: “Como e a quem é dado o direito de melodramar por amor? Quais são as performances de gênero aí reiteradas ou rejeitadas? Qual medida tomar para falar de sentimentos desmedidos? Quais aberturas textuais permitem a existência de outras vozes?”

+
Temporadas
×
Temporadas

“Vermelho Melodrama” tem realizado temporadas com casas cheias e bastante repercussão do público e da imprensa. Sua temporada de estreia aconteceu em julho de 2019 no teatro do Goethe Institut Salvador, Bahia. Depois de uma pausa em decorrência da pandemia de COVID-19, realizou temporada de retomada entre abril e maio de 2026 no Teatro Gregório de Mattos, por meio do projeto “Vermelho Melodrama: O Retorno (Ainda Mais Intenso e Visceral)” contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas via Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador. Em agosto deste ano, fez curta temporada no amplo Teatro Sesc Casa do Comércio com sessões nos dias 7 e 8 de agosto. E em setembro deste ano, foi apresentado no Mirada, um dos mais importantes festivais internacionais da América Latina realizado pelo Sesc.

+
Prêmio Cenym de Teatro Nacional
×
Prêmio Cenym de Teatro Nacional

“Vermelho Melodrama” (Dimenti, BA) está concorrendo em sete categorias na 25ª edição do Prêmio Cenym de Teatro Nacional, concedido pela Academia de Artes no Teatro do Brasil (ATEB):

💌 Melhor espetáculo
💌 Melhor direção
💌 Melhor texto adaptado
💌 Melhor elenco
💌 Melhor qualidade artística de produção
💌 Melhor cartaz e conteúdo gráfico ou visual
💌 Melhor fotografia para publicidade

+
Instagram da @dimentiproducoes
×
Instagram da @dimentiproducoes

Arte
Plataforma de criação artística e produção cultural que articula campos como dança, teatro, cinema, música e curadoria, em Salvador/BA, desde 1998
Rua Feira de Santana, 22, Salvador, Bahia, Brazil 41940600
CLIQUE AQUI para acessar

+
Quem faz a Dimenti
×
Quem faz a Dimenti

Criadora do movimento “Arte Dá Trabalho”, que nomeia a sua sede Casa Arte Dá Trabalho, a Dimenti dedica-se à realização de projetos autorais, colaborativos e parcerias, a exemplo do IC Encontro de Artes, realizado desde 2006. CLIQUE AQUI e descubra quem faz a Dimenti!

CLIQUE AQUI e acesse

 

+
Premiações da Dimenti
×
Premiações da Dimenti

“Vermelho Melodrama” foi o grande vencedor do 27º Prêmio Braskem de Teatro 2019 como Melhor Espetáculo Adulto, recebendo ainda indicações de Texto, Direção, Atriz e Ator, além do Prêmio Especial para Luiz Santana (Rainha Loulou) por figurino e adereços.

OUTROS PRÊMIOS:

“”Biblioteca de Dança”” (Bienal Sesc de Dança 2017 e Projeto Palco Giratório Sesc 2025); “”Pequena Coleção de Insignificâncias”” (livro finalista na categoria Literatura Infantil no 62º Prêmio Jabuti 2020); “”O Que Você É Sai Por Todos Os Lados”” (Prêmio de melhor roteiro no Festival Panorama Coisa de Cinema 2026); “”Pinta” (Prêmio Indie Lisboa 2013); Sensações Contrárias” (Melhor Vídeo Experimental no Festival de Gramado Cine-vídeo e Prêmio Porta Curtas Petrobrás no XI Festival Nacional de Vídeo – Imagem em 5 Minutos – BA); “Chá de Cogumelo” (Prêmio de Melhor Espetáculo – júri popular – no Festival de Teatro de São José do Rio Preto – SP); “A Novela do Murro” (Prêmio de Melhor Espetáculo e Melhor Diretor no II Fenateg – PB).

+
+
Acessar o conteúdo