Fala, Ìbejì

Cooxia – Coletivo Teatral (Salvador-BA)

Entre o toque do atabaque, o cheiro de dendê e o samba que nasce do chão dos terreiros, “Fala, Ìbejì” transforma tradição, brincadeira e ancestralidade em uma festa teatral para crianças e adultos. Inspirada livremente em itans da tradição iorubá, a montagem acompanha os Ìbejì, orixás gêmeos, deslocados para o cotidiano de uma comunidade periférica onde fé, arte e resistência se encontram. Na casa de Mãe Mainha, todos se preparam para o caruru em homenagem aos irmãos quando a chegada da Morte — chamada apenas de “Ela” — ameaça interromper a celebração. Para proteger a festa, Menino, Menina, Guri e Erê contam com a sabedoria da matriarca e inventam uma estratégia tão simples quanto divertida: desafiar a visitante para uma dança que só termina quando o tambor parar. Concebido como espetáculo de rua musicado, “Fala, Ìbejì” aposta na circularidade das matrizes afro-diaspóricas, incorpora a LIBRAS à própria cena e convida o público a cantar, bater palmas, responder a enigmas e entrar na brincadeira. Afinal, quando a comunidade dança junto, até a Morte pode acabar rodopiando.

Dia 01/11, às 17h
Largo do Campo Grande
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
TRADUÇÃO EM LIBRAS
Ingresso: Gratuito

FICHA TÉCNICA

Direção e argumento: Guilherme Hunder
Texto e dramaturgia: Luiz Antônio Sena Jr.
Elenco: Anderson Danttas, Ane Ventura, Fernanda Silva, Gabriel Nafisi e Lari Libório
Assistente de direção: Lucas Oliveira
Direção musical e trilha sonora: Filipe Pires e Ray Gouveia
Canções: Ray Gouveia a partir das letras de Luiz Antônio Sena Jr.
Preparação vocal: Manuela Rodrigues
Coreografias: Márcio Fidelis
Cenografia: Erick Saboia
Iluminação: Marcus Lobo
Operação de luz: Letícia Aranha e Marcus Lobo
Operação de som: Gabriella Hunder
Figurino: Guilherme Hunder
Visagismo, maquiagem e adereços: Elis Brito
Design gráfico: Diego Moreno
Formação em acessibilidade estética: Clarissa Costa
Oficina, consultoria e intérprete de LIBRAS: TJ Weber
Produção: DAGENTE Produções
Direção de produção: Luiz Antônio Sena Jr
Produção executiva: Lucas Oliveira
Assistente de produção: Gabriella Hunder

Cooxia – Coletivo Teatral

O Cooxia – Coletivo Teatral é um grupo artístico baiano, nascido em 2015, dedicado à criação, pesquisa e circulação de obras cênicas, com especial interesse em dramaturgias afrocentradas e em produções voltadas às infâncias e juventudes. Em sua trajetória, desenvolve espetáculos que articulam teatro, música, dança e elementos da cultura popular, buscando aproximar a cena de diferentes públicos e territórios. Entre seus trabalhos estão “Avesso”, vencedor do Prêmio Braském de Teatro, “O Jabuti e a Sabedoria do Mundo”, “Zumbindo” e “Infinito” – este último, vencedor do Prêmio Bahia Aplaude 2024 na categoria de Espetáculo Infantojuvenil. “Fala, Ìbejì”, sua montagem mais recente, já percorreu quatro territórios de Salvador e participou, em agosto de 2026, da Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ). O trabalho também foi contemplado para integrar a mostra em Guaramiranga e se prepara para uma temporada no Rio de Janeiro.

Uma pesquisa cênica afrocentrada
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Uma pesquisa cênica afrocentrada

“Fala, Ìbejì” é uma realização da COOXIA Coletivo Teatral com produção da DAGENTE Produções, e estreou em Salvador em março de 2026, levando arte, fé e brincadeira para as ruas da cidade.

Com direção de Guilherme Hunder e dramaturgia de Luiz Antônio Sena Jr., a obra – primeira parceria entre os dois multiartistas nestas funções – dá continuidade a uma pesquisa cênica afrocentrada de ambos dedicada às infâncias, à tradição oral e às pedagogias do terreiro. “Fala, Ìbejì!” é festa, é rito, é rua — é memória ancestral transformada em celebração contemporânea.

A montagem costura elementos do candomblé, da cultura popular nordestina e das festas de Cosme e Damião, abordando também o sincretismo religioso como estratégia histórica de resistência. A encenação incorpora a LIBRAS como parte da própria cena, integradas à performance do elenco, formado por Anderson Danttas, Ane Ventura, Fernanda Silva, Gabriel Nafisi e Larissa Libório.

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Mito ancestral, favela contemporânea
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Mito ancestral, favela contemporânea

A dramaturgia é livremente inspirada em itans da tradição iorubá, especialmente em narrativas que giram em torno dos Ìbejì, os orixás gêmeos. A história os desloca para o contexto de um terreiro situado em uma comunidade periférica, onde fé, arte e resistência caminham lado a lado. A trama se desenvolve na casa de Mãe Mainha, uma matriarca respeitada, enquanto todos se preparam para o caruru em homenagem aos gêmeos.

No entanto, a chegada da Morte, chamada apenas de “Ela”, pois seu nome não deve ser pronunciado, ameaça interromper a celebração e silenciar a festa. Assim, entre cantos, memórias e rituais, a comunidade se vê diante do desafio de proteger a vida, a alegria e a ancestralidade que o caruru celebra.

Entre risadas e mistérios, a meninada — Menino, Menina, Guri e Erê — percebe que será preciso coragem, união e muita brincadeira para enfrentá-la. Afinal, “essa danada não pode estragar a festa!”. As crianças com a ajuda de Mãe Mainha lançam o desafio: ela só poderá ficar no Caruru se conseguir dançar até o tambor parar — o que nunca acontece, já que os irmãos se revezam na batida e, por serem gêmeos, não percebe que está sendo enganada.

Em “Fala, Ìbejì”, brincar é também rezar, cozinhar é ato de memória, e dançar é estratégia de sobrevivência. Pois, “Resistir é também reinventar caminhos para a fé continuar dançando”. Hunder destaca que “falar de ancestralidade para crianças é também garantir a continuidade das nossas histórias. Elas recebem, guardam e levam adiante a herança cultural e espiritual dos povos afro-diaspóricos. Quando levamos essas narrativas para a cena afirmamos as nossas identidades e que elas continuem vivas”.

No espetáculo, a relação com a Morte é um subterfúgio para falar sobretudo a respeito de tradição, memória e continuidade. “Nosso maior interesse é abordar a tradição do caruru, que vem se perdendo entre as crianças, exaltando as tradições da afrodiáspora que constituem nossa cultura, e falar sobre a morte, que ainda é um tema tabu na infância”, revela Luiz Antônio Sena Jr..

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Teatro de rua como território de pertencimento
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Teatro de rua como território de pertencimento

Concebido desde o início como um espetáculo de rua, “Fala, Ìbejì” adota uma estrutura que privilegia o diálogo direto com o público e um espaço cênico não frontal. A encenação valoriza a circularidade característica das matrizes afro-diaspóricas, aproximando intérpretes e espectadores e transformando a plateia em parte ativa da experiência. Ao longo da apresentação, o público é convidado a participar: canta, responde a enigmas, bate palmas e se envolve na brincadeira ritual que ajuda a colocar a Morte para dançar.

Toda a visualidade do espetáculo – cenário e figurino – tem como referência simbólica as feiras populares, berços de cultura viva. O terreiro é casa, quintal e salão de memórias ancestrais. A cenografia concebida por Erick Saboya soma-se aos  acessórios de cena concebidos por Elis Brito e aos figurinos concebidos pelo diretor, Guilherme Hunder.

 

Caixotes plásticos de feira, panelas e bacias de ferro, sacolas de palhas e utensílios domésticos, são alguns dos elementos. Os figurinos dialogam com sacos de feira, quiabos e tecidos coloridos, mesclando tradição e urbanidade numa paleta que une os tons do dendê às cores vibrantes da cidade.

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Música e gastronomia
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Música e gastronomia

Música que conduz a cena

As composições inéditas são de Ray Gouveia, que ao lado de Felipe Pires também assina a direção musical. As letras são de Luiz Antônio Sena Jr.. A trilha tem como concepção poética os ritmos afro-brasileiros. O samba ancestral de terreiro, o pagode baiano e os atabaques dialogam com a pulsação urbana dos beats eletrônicos, criando uma musicalidade híbrida, orgânica e dançante. A música não somente ambienta: é a onda sonora que conduz a narrativa, provoca a ação, dramaturgia que contagia, que leva a dança e sustenta o enfrentamento simbólico da morte pela alegria coletiva.

Gastronomia Criativa

Como parte do processo criativo da encenação e da dramaturgia, o Cooxia realizou a Oficina de Teatro Afro Gastronômico, aproximando arte, culinária e memória ancestral, além de fortalecer o vínculo com os territórios, moradores e, principalmente, escolas por onde o espetáculo circulou em Salvador (BA) – Cajazeiras, Subúrbio Ferroviário, Ribeira e Centro Histórico.

As oficinas integram o eixo de mediação artística do coletivo e a metodologia parte da preparação simbólica do caruru: cada ingrediente é associado a um elemento do teatro. Os quiabos representam os atores; a cebola simboliza as emoções e portanto a interpretação; os camarões correspondem ao figurino; e o dendê representa a iluminação. O prato finalizado torna-se metáfora do espetáculo completo — resultado da combinação de diferentes elementos e saberes.

O ciclo de mediação artística se estrutura em três etapas: preparação (oficinas), fruição (apresentação do espetáculo) e reflexão (roda de conversa). Dessa forma, a criança não apenas assiste à obra, mas participa de seu processo simbólico de construção, fortalecendo o protagonismo infantil e estimulando pensamento crítico, pertencimento cultural e autoestima das infâncias negras.

O espetáculo Fala, Ibeji é uma realização do Cooxia Coletivo Teatral com produção da DAGENTE Produções.

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Instagram do @cooxia
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