km de resistência
Mehdi Dahkan (Marrocos)
A obra transforma a respiração em gesto de resistência. Inspirada na Aïta, tradição oral marroquina historicamente utilizada para transmitir mensagens e estimular a resistência durante o Protetorado Francês no Marrocos, a performance coreográfica e sonora desloca essa herança para o presente, investigando como o corpo pode se manifestar quando a palavra é silenciada ou censurada. Respiração, voz, palmas, golpes no chão, atritos e movimentos sincronizados constroem uma paisagem sonora produzida exclusivamente pelos corpos. Aos poucos, a respiração individual transforma-se em ritmo, o ritmo em pulsação e a pulsação em uma experiência coletiva, atravessada por tensão, exaustão e renovação. No encontro com o público, a obra abre espaço para uma participação silenciosa: ouvir, responder ou simplesmente respirar junto. Sem slogans ou palavras de ordem, “km de resistência” propõe a presença compartilhada como uma forma possível de resistência. Na versão apresentada no FIAC Bahia, artistas baianos compartilham a cena sob a direção do coreógrafo Mehdi Dahkan, em uma criação que aproxima experiências do Brasil e do Marrocos.
Dia 31/10, às 20h
Teatro Martim Gonçalves
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
Ingresso: R$ 15 e R$ 30, disponíveis via Sympla a partir do dia 17/10
FICHA TÉCNICA
Coreografia: Mehdi Dahkan
Performers: a confirmar
Produção: Cie Jil Z
Coprodução: Forecast Platform; Ettijahat – Independent Culture; CCN du Havre Normandie; AFAC – Arab Fund for Arts & Culture; IN SITU Platform; CNAREP Lieux Publics; Forside Metropolis.
Suporte de residência: Institut Français du Maroc, Tanger; PimOff Theater Milan; Swiss Council
ProHelvetia; Kaserne Basel; Centre chorégraphique Pole Pike; Centro BASE & Zona K Milan.
Mehdi Dahkan
Nascido em 1998, em Tânger, Marrocos, Mehdi Dahkan é coreógrafo, dançarino e cineasta. Sua pesquisa investiga o corpo como espaço de negociação e resistência, articulando práticas urbanas e dança contemporânea para refletir sobre identidade, pertencimento e comportamentos socialmente construídos no Magrebe contemporâneo. Iniciou sua trajetória no breakdance e no parkour, aproximando-se posteriormente da dança Bollywood e da dança contemporânea. Como intérprete, colaborou com artistas e companhias do Marrocos e da Europa. Em 2019, fundou a Jil Z, plataforma dedicada à pesquisa coreográfica, onde criou trabalhos como MA’KAN (2019), BNI MAKADA (2021), ONLY 14 (2023) e SUBJECT TO (2024), apresentados em festivais e instituições na Europa, Ásia e América do Norte. Também dirigiu o documentário Hna, hna, sobre uma nova geração de artistas urbanos de Tânger. Em sua prática, Mehdi articula movimento, imagem e questões sociopolíticas, buscando tensionar normas e construir representações plurais do Magrebe. Em 2024, Mehdi Dahkan esteve no FIAC Bahia participando de residência artística focada no processo de criação de “km de resistência” e apresentou a performance “Subject To”, no Teatro Gamboa.