Que Bahia é essa?
O FIAC Bahia completa 16 edições insistindo em uma pergunta: “que Bahia é essa?”. E a ideia aqui não é respondê-la às pressas, nos desafiamos a permanecer com tal questão por um ciclo de quatro anos.
Neste percurso, temos contado com a colaboração de pessoas convidadas, que se somam a equipe do festival no compromisso de olhar o que nasce na Bahia e se projeta como gesto artístico. Em 2025, as artistas e pesquisadoras Dodi Leal e Onisajé, com atuações respectivamente nas regiões Sul e Nordeste do estado, se juntaram a Luiz Antônio Sena Jr., Rita Aquino, Felipe de Assis e Beto Mettig no desenho da programação local.
Mais do que selecionar espetáculos, o festival busca estabelecer conexões a partir de um recorte do que vem sendo produzido na Bahia e em outras paisagens. Deste modo, a programação da 16a edição do FIAC conta com quatorze obras artísticas, sendo quatro trabalhos das cidades de Salvador e Feira de Santana; cinco produções nacionais com foco no Nordeste brasileiro (estados de Pernambuco e Ceará); uma leitura dramática e quatro espetáculos internacionais com artistas de Camarões, Burundi/Burkina Faso e França.
As obras abordam pautas urgentes, como a colonialidade, o saque de objetos para composição de acervos, a violência urbana e a precarização do trabalho mundo afora. De diferentes modos, enfrentam o apagamento de histórias individuais e coletivas, o rompimento do tecido social e o esfacelamento dos afetos. As disputas de narrativas são feitas em perspectiva contra hegemônicas, considerando questões étnico-raciais, de gênero e classe social, envolvendo personagens consagrados e anônimos.
As criações artísticas que compõem a 16a edição do FIAC entrelaçam o íntimo e o coletivo, corpo e território, as memórias que nos constituem e os futuros que precisamos inventar. São seis dias de uma programação intensa para crianças, jovens e adultos, com proposições que mobilizam imaginários, transformam lutas em linguagem cênica e afirmam a vida.
E esta afirmação vai muito além dos palcos. A presença de oficinas artísticas, técnicas e de produção, a ativação do programa de mediação cultural e acessibilidade, assim como a realização da 10a edição do Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas também são formas de afirmar a vida e defender a arte como direito cidadão.
É importante destacar que nada disso se faz sozinho, e assim reconhecer as redes como estruturas fundamentais para viabilizar o fazer artístico no país. Neste sentido, o FIAC Bahia homenageia o Grupo Teatral Magiluth por duas décadas de trabalho continuado, e recebe parte de seu repertório em circulação no festival. Além disso, consolida cooperações importantes com outros projetos internacionais, viabilizando a presença de artistas do continente africano que de outro modo dificilmente se apresentariam na Bahia.
O FIAC Bahia tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia. Com este apoio, em 2025 o festival reitera sua missão de promover encontros e fortalecer a cena artística local, através da difusão, circulação, criação, reflexão crítica, formação e acesso às artes e à cultura.
Que Bahia é essa? É a 16a edição do FIAC esperando por você.
FIAC Bahia 2025 – De 28 de outubro a 2 de novembro de 2025