A Ópera do Aldeão / L’Opéra du Villageois
Compagnie Zora Snake (Camarões)
O que é uma ópera? Em “A ópera do aldeão” (“L’Opéra du Villageois”), o performer camaronês Zora Snake propõe subverter nossas definições e percepções sobre a arte e sua história, reinventando o conceito de ópera ao deslocá-lo das elites europeias para o coração das aldeias africanas. Inspirado em danças ancestrais como a kounga, a nka’a e a sondap, o artista transforma o palco em um espaço ritual de memória e resistência, ao questionar como pensamos a liberdade artística hoje e como as artes circulam entre continentes. Entre a poesia de Aimé Césaire e o som da flauta de Maddy Mendly Silva, corpos e espíritos se entrelaçam num rito de restituição simbólica das riquezas saqueadas pela colonização. Zora Snake encarna o fantasma dessas peças, que dialogam com o mundo visível em um espaço em perpétua adaptação, um museu invisível onde obras recuperam seu poder de expressão. Uma celebração da arte como força vital, onde a liberdade é o gesto mais político.
Dia 01/11, 16h
MAC – Museu de Arte Contemporânea (Rua da Graça, 284, Graça)
Duração: 30min
Classificação indicativa: livre
Ingresso: Espetáculo gratuito, com convites distribuídos no dia e local da apresentação, uma hora antes do seu início.
Para saber sobre os ingressos de toda a programação, entre AQUI
FICHA TÉCNICA
Conceito, encenação e coreografia: Zora Snake
Com: Zora Snake
Música ao vivo e instrumentação: Maddly Mendy Sylvia
Direção geral: Wilfried Nakeu
Narrção e texto: Bénédicte Savoy e Felwine Sarr
Discurso sobre a restituição das obras: Zora Snake, lido por Maddly Mendy Sylvia
Foco Sens Interdits no Brasil
Criada em Lyon em 2009, a Bienal Internacional de Teatro Sens Interdits é um espaço de encontro entre arte, política e humanidade. Dedicada a temas como memória, identidade e resistência, a bienal reúne artistas de todo o mundo que transformam suas lutas em linguagem cênica. Em cada edição, o público é convidado a cruzar fronteiras — de idioma, estética e pensamento — para escutar vozes que revelam as contradições do nosso tempo. Como parte da Temporada França–Brasil 2025, o Sens Interdits se une ao FIAC – Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia para apresentar quatro espetáculos vindos de Camarões, Burkina Faso e França, abordando descolonização, desigualdade e liberdade. As apresentações se estendem também ao FETEAG (Caruaru e Recife) e ao MIAC (Porto Alegre), com masterclasses e encontros que ampliam o diálogo entre artistas e públicos. Um verdadeiro intercâmbio de ideias e emoções, em que o teatro se afirma como território de resistência e esperança. A montagem “L’Opéra du Villageois”, da Compagnie Zora Snake, faz parte desse intercâmbio.
