Gente de Lá

Wellington Gadelha (Fortaleza – CE)

A partir da figura de um “corpo-roleta-russa”, o espetáculo de Wellington Gadelha reflete as violências que atravessam cotidianamente a vida urbana nas periferias do país. Entre dança contemporânea, artes visuais e performance, a obra constrói um gesto em que corpo e objeto se confrontam — arma e discurso, risco e poética. O espetáculo instaura um território de confronto e de memória, onde o gesto coreográfico carrega a urgência do instante e a fragilidade do corpo exposto. Um território cênico que propõe uma escuta daquilo que insiste em permanecer vivo: uma encruzilhada onde a arte se faz presença, fissura e convite à reflexão.

Dia 02/11, 16h
Teatro Martim Gonçalves
Duração: 50 min
Classificação indicativa: 16 anos
TRADUÇÃO EM LIBRAS
Ingresso: R$ 30,00 e R$ 15,00 CLIQUE AQUI para comprar o seu ingresso

Para saber sobre os ingressos de toda a programação, entre AQUI

FICHA TÉCNICA

Criação, dramaturgia e pesquisa sonora: Wellington Gadelha
Tutoria: Luiz de Abreu
Interlocutores dramatúrgicos: Leonardo França e Thereza Rocha
Criação audiovisual e sonorização: Priscilla Sousa
Iluminação: Yanka Leandra
Design sonoro: Ivan Timbó
Produção musical: DJ Pedro Ribeiro
Programação visual e projeção mapeada: Bruno Realites
Cenografia: Wellington Gadelha e Emanuel Oliveira
Produção executiva: Georgiane Carvalho
Produção: Plataforma Afrontamento
Projeto gráfico: Diogo Braga
Apoio: Rumos Itaú Cultural

Wellington Gadelha

Wellington Gadelha é coreógrafo, artista visual e psicólogo, cuja pesquisa cruza dança, artes visuais, vídeo, arte sonora e tecnologias imersivas. Desenvolve o conceito de “corpo-roleta-russa”, explorando o corpo como território de risco, memória e potência poética diante das fricções do espaço urbano. Premiado pelo Rumos Itaú Cultural (2017–2018) e pela Funarte Artes Visuais (2017), apresentou trabalhos no MAC-CE, CCBNB, Mostra Sesc de Cinema e em festivais no Brasil, Chile, Portugal e Suíça. Sua obra investiga relações entre corpo, cidade e imaginário contemporâneo, produzindo atravessamentos entre política, estética e experiência sensorial.

pro outro, é sempre aquela pessoa de lá
×
pro outro, é sempre aquela pessoa de lá

Questionado sobre quem é essa gente de lá, ao qual o título se refere, o cearense desfia. “Primeiramente sou eu: preto, favelado e urbano. Mas essa gente de lá é justamente esse local que muitas das vezes a gente é colocado. Que não necessariamente são locais, são pessoas que possuem memórias, que são totalmente silenciadas e propositalmente exterminadas. Porque, pro outro, é sempre aquela pessoa de lá”, conta.

Trecho da entrevista com Wolney Batista para o Diário do Nordeste. Leia mais AQUI

+
Gente de lá é uma encruzilhada onde vida e arte se esbarram
×
Gente de lá é uma encruzilhada onde vida e arte se esbarram

Definido pelo autor como uma “ação cênica, preta, favelada, urbana e transversal”, o espetáculo de dança contemporânea “Gente de lá”, do cearense Wellington Gadelha, toca em uma ferida que sangra cotidianamente nas favelas da capital cearense mas também em lugares à margem de outras grandes cidades brasileiras.

Gente de Lá é uma ação cênica preta-favelada-urbana e transversal que propõe um instante poético de denúncia e afronta. O trabalho parte da investigação de um corpo roleta-russa que, enquanto discurso, reflete questões urgentes, indo desde as chacinas cotidianas na cidade de Fortaleza até o massacre estrutural da população negra no país. Ao atravessar a dança pelas artes visuais, a composição experimenta aspectos relacionais corpo-objeto como diálogo/confronto – discurso/arma – bala/projétil – capaz de perfurar os territórios pré-estabelecidos para o negro na dança. O objetivo é interconectar resistências e repensar fronteiras, violências e os circuitos subjetivos de segregação étnico-racial-espacial no contexto urbano.

Gente de lá é uma encruzilhada onde vida e arte se esbarram. Um exercício para um disparo!

Nesse solo, Wellington Gadelha mobiliza sua experiência como dançarino e ativista na periferia de Fortaleza, para denunciar as desigualdades tecno-raciais e o compartilhamento de território que mantém essas segregações. Combinando o poético com o político, ele vê o corpo do negro como um local de subjetivação exposto à violência cotidiana, um “Corpo-roleta-russa” em suas próprias palavras. Gente de lá, portanto, instala um clima de urgência, proporcional ao de tornar essas lutas visíveis e, mais amplamente, de moldar uma contra-narrativa anticolonial. Performance total, som envolvente, música, acessórios, espaço, tempo e luz, Wellington Gadelha aborda cada elemento como uma materialidade significante, com a qual ele se engaja em um diálogo gestual. A peça conecta diferentes ações, formas de dissidência, oposição e tensão, para oferecer a ele a oportunidade de redefinir as fronteiras que buscam limitá-la. Neste jogo proibido, é ele quem acaba pressionando o gatilho.

+
@well.gadelha
×
@well.gadelha

Siga Wellington Gadelha no Instagram: https://www.instagram.com/well.gadelha/

+
+
Acessar o conteúdo