Estudo N°1: Morte e Vida

Grupo Teatral Magiluth (Recife – PE)

Inspirado no poema dramático Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, o Grupo Magiluth cria, em “Estudo N°1: Morte e Vida”, uma cena-pesquisa que transcende o sertão nordestino para dialogar com movimentos migratórios do mundo contemporâneo. O espetáculo transforma a travessia de Severino em um mosaico de urgências – mudanças climáticas, precarização do trabalho, desigualdade social e disputas por terra e poder – propondo um olhar sensível e crítico sobre os deslocamentos forçados de ontem e de hoje. Em cena, o grupo pernambucano articula poesia, política e teatralidade, questionando o que nos move e o que buscamos ao atravessar fronteiras.

Dia 30/10, às 18h
Teatro Sesc-Senac Pelourinho
Duração: 1h20min
Classificação indicativa: A partir de 16 anos
TRADUÇÃO EM LIBRAS
Ingresso: R$ 30,00 e R$ 15,00 – Para comprar ingresso, CLIQUE AQUI

Para saber sobre os ingressos de toda a programação, entre AQUI

Ficha Técnica

Criação e Realização: Grupo Magiluth
Direção: Luiz Fernando Marques
Assistente de Direção e Direção Musical: Rodrigo Mercadante
Dramaturgia: Grupo Magiluth
Elenco: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres e Mário
Sergio Cabral
Produção: Grupo Magiluth, Bobox Produções e Thaysa Zooby

Grupo Teatral Magiluth

Reconhecido como um dos grupos teatrais mais inovadores do país, o Magiluth nasceu em 2004 no Recife e desde então constrói uma trajetória de pesquisa e experimentação que dialoga intensamente com seu tempo e território. O grupo articula criação, formação e investigação artística em processos colaborativos que desafiam fronteiras estéticas. Em mais de duas décadas, estreou 14 espetáculos, criou experiências imersivas premiadas durante o confinamento e percorreu 24 capitais brasileiras, além de intercâmbios em Lisboa e Londres. Com presença marcante em festivais nacionais e internacionais – entre os quais o FIAC Bahia, onde apresentou obras como “Dinamarca” e “Aquilo que meu olhar guardou pra você” –, o Magiluth afirma-se como um dos principais expoentes do teatro contemporâneo brasileiro, combinando rigor estético, potência coletiva e um permanente desejo de reinvenção cênica. A participação do Magiluth no FIAC Bahia faz parte do projeto “Circulação Nordeste Magiluth 20 Anos”, fomentado pela BOLSA FUNARTE DE TEATRO MYRIAM MUNIZ 2023.

Sinopse completa
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Sinopse completa

Depois de uma peça estruturada no texto do autor francês Jean-Luc Lagarce (Apenas o fim do mundo – 2019), o Grupo Magiluth, em 2020 decide voltar seus olhos à literatura brasileira, desta vez com o escritor e poeta João Cabral de Melo Neto como elemento propulsor do debate propondo uma pesquisa que parte da obra “Morte e vida Severina” (1954/55). A décima primeira peça do grupo intitulada “Estudo N°1 Morte e Vida” é próxima à uma “peça palestra.” Utiliza-se do livro como disparador e atravessa uma série de estudos contemporâneos acerca de construções, formações e interações sociopolíticas no Brasil e no mundo ao longo dos séculos XX e XXI apontados pelo grupo.

Em Estudo N°1 Morte e Vida estão as urgências sobressaltadas nos últimos anos, como a questão da migração em busca de condições “melhores” e da relação desses indivíduos com a terra, com o trabalho, com a morte e com o poder político; as questões climáticas, da seca e para além dela, e como isso tem afetado a(s) vida(s) em várias partes do mundo; como o assunto é perpassado pela política, que enriquece os coronéis e quem está no poder, enquanto empobrece a população e não atende aos cuidados básicos; a precarização do trabalho e a uberização (e a ideia que a competição e a flexibilização só tem provocado mais desemprego e pauperização).

No decorrer da história do país, em inúmeras circunstâncias, pessoas foram levadas a deixar os seus territórios de origem em busca de melhores condições. São movimentos migratórios forçados por adversidades, que fazem com que muitos se lancem em direção a lugares de novas esperanças, novas oportunidades, de uma nova vida. Somos muitos Severinos. Morte e Vida Severina é um trabalho que fala muito sobre o Nordeste, mas também sobre dinâmicas de mudança em âmbito local, regional, nacional e, mesmo, mundial – mesmo que, seja árdua a travessia de fronteiras.

Para a direção do Estudo N°1 Morte e Vida, o Magiluth convidou o Luiz Fernando Marques, o Lubi – parceiro do grupo desde 2012 e diretor dos espetáculos “Aquilo que o meu olhar guardou para você” e “Apenas o fim do Mundo”, este último juntamente com Giovana Soar – e o ator e diretor musical Rodrigo Mercadante, que possui reconhecida experiência acerca de trabalhos cênicos construídos a partir de textos poéticos e não dramáticos.

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Assim como os dois estudos do Magiluth, este texto se valerá de tentativas
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Assim como os dois estudos do Magiluth, este texto se valerá de tentativas

Primeira tentativa

Chego à Casa da Ribeira minutos antes de soar o terceiro toque para começar o “Estudo nº1: Morte e Vida”. As cortinas estão fechadas e tem um microfone posicionado no canto esquerdo do palco. Giordano Castro – que estava na porta do teatro quando eu cheguei – entra, dirige-se ao microfone e narra os acontecimentos:

Não teve o primeiro nem o segundo toque, mas soa o terceiro toque. Aí a minha ideia é que eu esteja aqui, parado.(…) A cortina se abre. O que se vê é um cenário comum a peças contemporâneas, dessas do tipo “peça-palestra”, onde de um lado estará toda parte técnica que será operada pelos atores, algo que provavelmente vai dar merda. Tudo bem, fará parte do jogo. Uma luz verde de contra revela três microfones, que nesse estilo de trabalho serão usados de forma exaustiva. Entra o ator 1. Entra o ator 2. Entra o ator 3. Eles compõem o quadro (…).

Crítica de Amanda Bixo para o portal Farofa Crítica. Leia AQUI o texto na íntegra

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O teatro não é, portanto, um gatilho para observar algo fora dele
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O teatro não é, portanto, um gatilho para observar algo fora dele

QUALQUER ARTISTA DO TEATRO QUE RESIDA NA REGIÃO NORDESTE VAI ENFRENTAR A INSATISFAÇÃO DUPLA TANTO DA PRECARIEDADE DE ACESSO AOS BENS CULTURAIS EM SEU PRÓPRIO CONTEXTO QUANTO DA ESCOLHA PONTUAL DE QUEM IRÁ NOS REPRESENTAR EM OUTROS ESPAÇOS.

Texto de Heloísa Sousa sobre os Estudos do Grupo Magiluth, publicado na edição #10 da A[L]BERTO, revista da SP Escola de Teatro. Leio o texto na íntegra na página 159 da publicação, clicando AQUI

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O Magiluth
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O Magiluth

Fundado em 2004 na UFPE, o Grupo Magiluth desenvolve um trabalho continuado de pesquisa e experimentação, tendo sido apontado pela crítica e pela imprensa como um dos mais relevantes grupos teatrais do país. Com nova sede no coração da capital pernambucana, realiza colaborativamente diversas ações nos eixos de pesquisa, criação e formação artística, em constante diálogo com o território em que está inserido.

Possui em seu histórico onze espetáculos, fundamentados em princípios da criação teatral independente, de realização contínua e com intenso aprofundamento na busca pela qualidade estética. São eles: “Corra” (2007), “Ato” (2009), “1 Torto” (2010), “O Canto de Gregório” (2011), “Aquilo que o meu olhar guardou para você” (2012), “Viúva, porém Honesta” (2012), “Luiz Lua Gonzaga” (2012), “O ano em que sonhamos perigosamente” (2015), “Dinamarca” (2017), “Apenas o Fim do mundo” (2019) e Estudo N°1 Morte e Vida (2022), MIRÓ: Estudo N°2 (2023) e ÉDIPO REC (2024). Em 2020 e 2021, desenvolveu três experimentos sensoriais em confinamento concebidos especificamente para o momento de suspensão social, “Tudo que coube numa VHS” (Prêmio APTR de Teatro 2021 – Melhor espetáculo inédito ao vivo ), “Todas as histórias possíveis” e “Virá”.

Em 2012 o Grupo Magiluth foi escolhido pela Folha de São Paulo como segunda melhor estreia do teatro nacional e, em 2019, foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro (Melhor Cenário – Guilherme Luigi e Luiz Fernando Marques) e ao Prêmio APCA (Melhor Ator, Mário Sérgio Cabral). Circulou com seus trabalhos por 24 capitais brasileiras, além de ter realizado projetos de intercâmbio em Lisboa e Londres. Participou também de diversos festivais de teatro no país, como FILTE – Festival Latino Americano da Bahia, Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, Porto Alegre em Cena, Festival de Teatro de Curitiba, FIAC – Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, Festival Recife do Teatro Nacional, Janeiro de Grandes Espetáculos, Fringe – Curitiba, Cena Brasil Internacional, FILO – Festival Internacional de Londrina, SESC Mirada, Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, Mostra Internacional de Teatro de São Paulo – MITsp, Circuito SESC de Artes, Festival Palco Giratório – Sesc Porto Alegre, Festival Transborda Usina Teatral, FETEAG, Mostra Sesc Cariri de Culturas, Festival Sergipano de Artes Cênicas e Festival Dulcina de Moraes.

Lucas Torres ator e produtor

Erivaldo Oliveira ator e produtor

Giordano Castro ator e produtor

Pedro Wagner ator, produtor e diretor

Mario Sergio Cabral ator e produtor

Bruno Parmera ator e produtor

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@magiluth
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